A blogosfera acontecendo aqui
Arquivo de agosto, 2007
Big Blogs Brasil, a concorrência por um objetivo comum
ago 20th
Depois de ter lido a opinião de alguns e questionado a mim mesmo sobre o que sinto na Internet em termos de competividade entre blogs (ou blogueiros), a analógia com o Big Brother pareceu ser exemplificar. Se você não entendeu ainda, explico o meu ponto de vista.
Todo começo de Big Brother é uma grande festa. Algazarras e gritos de alegria dos 15 sortudos contemplados a participar do reality entre os milhares de inscritos.
Ninguém conhece ninguém, mas todos se juntam abraçados em uma grande roda como se fossem verdadeiros irmãos.
A união dura até ao primeiro paredão, quando desse ponto em diante os participantes identificam-se e formam grupos de convívio no qual irão interagir até os últimos dias do programa.
Corriqueiras desavenças entre participantes, casais acometidos por paixões repentinas, alguém que se sobressai por causa de suas preferências ou mania pouco comum, apesar de previsíveis acontecem no intuito de alguém se fazer popular e agradar ao público.
Encenações baratas e manipuladoras chegam a ser ridículas de tão evidentes, mas quem consegue fazer uma boa política, sendo simpático e solidário com os companheiros é quem cai na graça do público e leva no final a bolada de 1 milhão de Reais.
Se você estranha eu escrever sobre Big Brother já que o programa não está no ar há meses e não é mais assunto da moda, explico que o motivo é devido aos convites simultâneos feitos pelo Norberto Kawakami e o Silvano Vilela para o meme “O futuro da blogosfera brasileira: até onde concorremos?” iniciado pelo Carlos Carvalho (não confunda com Carlos Cardoso).
Não sei se ficou tarde para participar, já que o lançamento foi em 12/07, mas estou respondendo ao convite feito.
Vejo bons exemplos de blogueiros que de maneira bem disposta e carismática ajudam aos novatos, não se cansando de compartilhar suas experiências e de fornecer espontaneamente dicas e informações.
Devido ao carisma que possuem se tornam motivos de elogios e de links em diversos blogs. Tamanha a puxação que é difícil descobrir quem é fã de quem.
O clima que denota ser de certa fraternidade entre os blogueiros ocorre quase sempre dentro de um círculo formado por aqueles que compartilham de idéias semelhantes (panelinhas). Havendo grupos com idéias distintas, vira e mexe encontramos briguinhas e discussões que apesar de desnecessárias atraem a atenção dos leitores. E me diga quem, mesmo que disfarçadamente, não gosta de assistir a um barraco, picuinha ou briguinha de comadres?
Entre trocas de gentilezas, amores declarados ou briguinhas, a verdade é que a maioria dos blogueiros possuem o grande objetivo de ganhar milhões de Reais, mesmo que impossivelmente consigam por meio do Adsense ou qualquer outro sistema de afiliação.
Quando digo a maioria e não todos é porque me lembro daqueles que são semelhantes a alguns dos participantes do Reality, que não se importam com o prêmio e sim com os contratos de revistas ou simples presenças em festinhas (se você me entende).
Quando o meme passa pelo questionamento do Alexandre Rauta sobre se um blogueiro vê o outro como concorrente, minha opinião é que sim. Mesmo que esta visão de concorrência não seja no sentido de ser superior ao outro, mas de ser tão bom quanto.
Se concorrência entre blogs existe, que pelo menos seja honesta e que ganhe sempre o leitor bons artigos e os blogueiros boas experiências.
O direito de expressão do blogueiro pode ferir seus leitores
ago 4th

A Internet é um enorme espaço virtual, onde vários conteúdos são publicados sem a mínima preocupação com a ética, moralidade, respeito e pudor. Na Internet é licito abordar abertamente qualquer tipo de assunto e defende-lo por convicção pessoal por mais que sejam eles abominações para a maioria. Assuntos como “violência, estupros, bagulho e terror” são mais comuns do que podemos imaginar, só para citar que a Internet é um grande Faroeste Caboclo, piorado em muitas vezes.
A Internet é uma zona (no sentido literal da palavra) sem regras que possam ser aplicadas. E no dia que for aplicada qualquer regra, deixará de ser interessante.
Entenda que não estou fazendo apologias a tipos de conteúdos, muito pelo contrário. Estou apenas querendo dizer que se é inevitável que a Internet não sirva exclusivamente para propósitos da informação, da diversão e do serviço, sendo-lhe extremamente inerente a existência de páginas de “sacanagem, falta de respeito (ao próximo) e imbecilidades”, decidir o que acessar faz parte da escolha pessoal de cada um.
Navegando por aí é certo se deparar com as maiores banalidades ou absurdos resultantes da liberdade de expressão que cada indivíduo tem direito. A vontade inicial é de exorcizar o demônio autor do absurdo para defender o próprio ponto de vista, extravasar a raiva ou indignação. Mas isto é pura perda de tempo. Quem não tem respeito pelo próximo pouco se importa com qualquer argumentação proferida.
Estou falando sobre este assunto, num devaneio de pensamentos que parecer não ter nenhuma relação com blogs ou sobre blogs. Mas a verdade é que o mesmo surgiu decorrente da leitura de um determinado blog, onde o direito do autor feriu o direito de muitos leitores.
Determinados pré-conceitos (sejam sobre religião, raça ou preferência sexual), embora próprios de cada ser humano, não deveriam ser aclamados, justamente por que ferem.
Havendo alguns que se consideram profissionais desta mídia que cresce rapidamente, o blog, é de admirar que o direito de expressão seja por estes levado mais em conta do que certos direitos garantidos pela constituição (mesmo que pouco se respeite dela, principalmente, com raras exceções, pela massa corrupta denominada políticos).
O direito de expressão do blogueiro não deveria ferir seus leitores.
Não quero dizer que o blogueiro está limitado a escrever somente o que agrada, mas que deveria ser criterioso com determinados assuntos que já conhecemos como indiscutíveis. Não, cachaça não faz parte.
O direito do autor termina onde o direito do leitor começa, isso é questão de bom senso. Se o blog ofende, leitor que é inteligente não perde tempo se expondo com trocas de comentários desafetuosos. Simplesmente percebe que o blog não merece sua atenção e vai embora, deixando lá a farinha do mesmo saco.